Archive for dezembro de 2008
Vinho, chatice e Scarlett – tudo no mesmo post
Posted by Bruno Rabin in Crônica on 29 de dezembro de 2008
Na disputa silenciosa entre enochatos e anti-enochatos, fico com os primeiros. O prazer deles continua sendo o vinho; o de seus adversários, a maledicência.
Mal-dizer é um prazer soberano, claro, mas serve pra qualquer coisa: classe média na praia, jornalista da Folha, adoradores de filmes trash, blogueiros paulistas. Escolhendo os entendidos em vinho, o vinho vai junto, por coerência – se é que isso importa a essa nova geração de iconoclastas. E do vinho não se pode abrir mão.
Eu entendo os anti-enochatos. O que eles não suportam é o ritual: a escolha demorada demais do vinho; a cabeça estendida para trás, de maneira que os olhos possam atravessar os óculos de leitura à procura de uma informação salvadora no rótulo; o nariz desconfiado da rolha; os movimentos circulares com a taça, sempre muito imperfeitos.
Tudo isso envergonha quem está por perto, mas o problema não é do ritual: é do sujeito que o faz. Deixar uma pessoa que entende de aplicações financeiras se aventurar na gastronomia é como permitir que um Leandro e Leonardo sejam cantores de sinagoga. Aristocracia não combina com realidade.
O rótulo, a rolha, a taça, o vinho – ninguém tem nada com isso.
Mas a maior chatice dos anti-enochatos é o argumento verdadoso: “Aposto que ele confunde sangue-de-boi com um Brunello sem não tiver o rótulo por perto.” Primeiro, nem o Lula confundiria. Segundo, o gosto do vinho inclui o rótulo – como o gosto da lagosta inclui o preço, o gosto do estrogonofe inclui o nome e a origem, o gosto do picadinho inclui o diminutivo. Por que separar as coisas? Se não me engano, os anti-enochatos também costumam se incomodar com aquelas pílulas de comida que os astronautas de filmes dos anos 70 usam no espaço: “Não é a mesma coisa que a comida de verdade, mas não é mesmo!”

Se eu tivesse feito o casting de “Sideways”.
Sapatada
Posted by Bruno Rabin in Uncategorized on 17 de dezembro de 2008
No qual explico o nome do blog
Posted by Bruno Rabin in Crônica on 9 de dezembro de 2008
Não é que o blog se chame Farsante.
Faz um tempo pensava sobre isso, porque é logico que achava o nome do blog uma infelicidade. Todo nome de blog é uma infelicidade. Nomes de blogs nem são projetos de “naming” publicitário, nem conseguem ser “Toque a campainha” ou “Porcão” (respectivamente, loja de móveis e churrascaria aqui do Rio), sem envergonhar o leitor.
Nomes de blogs nunca surgem das coisas: um texto você escreve e depois dá nome; um filho também. O blog não. O blog primeiro é um nome. Depois, vira alguma coisa. E quando o cérebro funciona demais, haja sensibilidade para chegar ao ponto certo. A maioria naufraga.
Então, Farsante não é o nome do blog. Há muito tempo queria esclarecer isso, porque algumas pessoas ficam achando que um blog farsante deveria ser escrito sob pseudônimo, e deveria ter mais farsa. E quando o post é farsesco, as pessoas não entendem e vêm defender o Armando Nogueira.
Mas Farsante não é o nome do blog. Farsante é o autor. Mesmo. Vejam isto: quase nada a dizer, oito opiniões que se repetem, doze leitores (e isso não é charme, é Google Analytics, baby), três histórias mal contadas por preguiça e um quase talento dispensável. Nenhuma pulsão pela escrita, nenhuma necessidade de dizer nada – mas uma insistência vaidosa. E o prazer insubstituível do barulho das teclas.
Los hermanos Mantle
Posted by Bruno Rabin in Uncategorized on 5 de dezembro de 2008
Um método bem pessoal de diversão: procurar versões dubladas de filmes, mas solo em espanhol. Acima, Dead Ringers (Gêmeos, mórbida semelhança).

