Fica a dica


Desta vez, a aposta é uma resposta à pergunta “O que vocês estão lendo?” Desculpe, gente, mas eu não vou responder. Podem perguntar à vontade. Não vou dizer o nome mesmo. Nem do livro, nem do autor. Vocês vão ficar curiosos, mas eu realmente vou ficar devendo essa. Faz tempo não lia um texto assim tão próximo da perfeição, num equilíbrio entre ter algo a dizer e ter um modo de dizer as coisas, er, original – mas na medida certa: tão novo que eu não o reconheça em outros autores, mas não tão novo que me soe à “novidade”. Seria até bom que eu contasse logo de uma vez o que estou lendo. Vocês iriam gostar de saber, mais gente ia ler o sujeito… Hum, mas será que ele precisa vender mais uns livrinhos? Hummm, not really. Melhor não dizer. E a história é aquela que eu escreveria se fosse um escritor igual a ele. Também, com esses episódios na biografia (nada que ele viva contando por aí, mas que se sabe), era de se esperar que alguma marca ficasse, uma marca sutil, claro, muito indireta e elegante, no exato espaço entre o reconhecimento do leitor espertinho e o psicologismo do teórico chatinho, sem chance para “o desvelar do mistério”. Difícil dizer o que é melhor: se o argumento do livro, o plot line limpo, ou cada parágrafo e cada frase. Perfeito mesmo, pessoal. Mas não vai dar para dizer o nome mesmo, não. O autor não ganharia nada com isso; nem eu. É possível que dois ou três de vocês ficassem empolgados com a leitura também. E deixassem comentários aqui, ou mandasse emails. É possível. Prefiro não dizer. Conto apenas que a forma inventiva como o livro sugere episódios históricos não consegue superar a dimensão humana do protagonista, que faz o leitor se reconhecer e renegar esse reconhecimento a cada capítulo. Nem aldeia, nem universo. E as frases? “Aceita o chá, Fulano?” “Não creio que chá algum possa ser fiel de alguma impureza,” diz o protagonista na passagem ao segundo capítulo. Ou esta então: “Porque me dispusesse a morrer, misturaria meu vinho com o veneno de um inimigo inventado.” Daí o livro estar todo sublinhado, como neste outro caso: “Tomada a decisão, sou já outro homem, e nem fiz nada.” É, não fica bem esconder livro e autor de vocês, que estão aguentando isso até aqui. Mas pensem bem: como ficaria meu saldo de amizades e inimizades? Duas ou três pessoas felizes comigo, seis ou sete indiferentes, umas cinco se rindo às minhas costas, pela predileção confessada aqui. Saldo negativo, restando-me apenas ir procurar se, neste caso, a inimizade é vantagem ou desvantagem, considerados os sujeitos inimigos. Trabalho demais, it seems. Está decidido: não conto. Então, esta é minha leitura principal do momento: um escritor sensacional, em uma obra difícil de comparar a qualquer outra, e que me satisfaz a ponto de não precisar compartilhar com ninguém. Fica a dica.

(Texto para a aposta #12: “Q q 6 tão lendo?”)

  1. #1 by anônimo on 30 de julho de 2009 - 12:49

    pau no cu

  2. #2 by Adriano Alves Pinto on 14 de agosto de 2009 - 16:03

    Não li, mas gostei muito. Recomendo, de verdade.

(não será publicado)