Archive for category Mídia
O Alexandre fica vendo essas porcarias, aí acaba escrevendo besteira
Posted by Bruno Rabin in Crítica, Mídia on 9 de fevereiro de 2010
Vocês já leram isso aqui? Então, leiam. Conferiram a data da notícia? Checaram o ano? Pois é, o Marco Aurélio “top top” Garcia está preocupado com a programação da TV por assinatura, pelo efeito de aculturação do lixo norte-americano sobre as nossas cabeças. Dá pra fazer meia dúzia de piadas e tal, mas acontece que também é divertido levar as coisas a sério. E, nesse caso, tenho cada vez mais a impressão de que não dá pra ficar só fazendo piada. O arrependimento virá tarde demais. Então, nenhuma sutileza para ver se ele entende, ok?
O que não faz sentido no argumento do professor? – let’s name it.
Bem, preocupado eu estivesse com algum lixo de programação televisiva, faria mais sentido olhar os canais abertos. Os assinantes de TV não passam de 7 milhões, ou seja, menos de 4% da população. Vá lá, admita-se que esse número seja multiplicado por quatro, considerando uma média domiciliar razoável; ainda assim, não passa de 15%. É pouca gente para tanta preocupação – a não ser que o assessor esteja pensando nos “net cats” por aí, mas seria engraçado ver a preocupação com os efeitos de uma ilegalidade que o Estado não coibe direito.
Não é só isso. A turma que assina TV no Brasil não está nas classes C, D ou E. Pergunte aos anunciantes. Niely Gold e Assolan estão na Globo, não na Sony – e os preços são muito menos distantes do que se poderia imaginar, efeito da estratificação. Por isso, carro de luxo, hoje, só na TV paga. São, muito provavelmente, as pessoas com mais, como dizer?, acesso à educação.
O “lixo americano” a que se refere Marco Aurélio Garcia divide espaço com muitas produções nacionais e, digamos, “educativas” (documentários, entrevistas, reportagens etc.). Então o discurso dele se refere, suponhamos, a filmes e seriados. Bem, quanto aos filmes, os piores vão sempre para a TV aberta; os melhores costumam ficar restritos aos assinantes. No que diz respeito aos seriados, é lá que se encontram alguns dos melhores roteiristas, diretores e atores em ação nos Estados Unidos. Para forçar a comparação infantil, há muito mais inteligência, na média, nos seriados americanos do que nas novelas brasileiras: diálogos rápidos, roteiros espertos e alguma coisa acontecendo (!). Existem exceções, claro, mas o número de opções e a audiência dos melhores confirmam essa percepção.
Mas não é só isso, não. Mesmo supondo que um filme ou seriado tenha a “força de uma transmissão muito negativa de valores”, com quem é que o Marcão tá falando? O idiota nunca vai ser mais ou menos idiota porque está na frente de uma estupidez. E o Alexandre não vai deixar de ser brilhante porque assistia a Buffy (Ele lê Gossip Girl). Suspeito até que ocorra o contrário, mas isso é outro assunto.
Quer dizer, não é não; é o mesmo assunto. Explicando direitinho: a televisão não tem a ver com nada. Nem com a inteligência, nem com a burrice. Nada. O sujeito pode passar a adolescência vendo Batman e Sílvio Santos e se tornar um brilhante redator publicitário adevogado. Ou então, não ter tempo para isso, tornar-se político e manter a idiotia de um discurso vintage, por exemplo execrando a TV… Pode ser que eu esteja enganado, mas esses 18 anos lidando com adolescentes me permitem dizer que a única diferença está lá na casa do menino ou da menina: umas estantes com livros e alguém lendo, indo ao cinema ou ao teatro com alguma regularidade. Margem de erro de 10%, ok?
E há algo de mais espantoso ainda nesse discurso sobre as “influências malévolas dos meios de comunicação”, porque o mesmo governo de que participa tão ativamente Marco Aurélio Garcia fala sobre a democratização do acesso à banda larga. É engraçado que as mesmas pessoas que denunciam os efeitos negativos da TV falem justamente o oposto sobre a Internet: “o Museu do Louvre, a Biblioteca Nacional e todas as notícias do mundo ao alcance de um clique” – enquanto o garotão está lá deixando um scrap no orkut do vizinho (“Aí leke a parada furou vlw”).
Isso tudo, para não falar no mais importante: cada um que escolha o que quer ver e o que quer ser, não é não? Mas essa história de liberdade é demais pra cabeça dele. Deixa pra lá.
Para quem reclama que os jornais não trazem boas notícias
Posted by Bruno Rabin in Mídia on 10 de outubro de 2009
Eu devo estar perdendo alguma coisa
Posted by Bruno Rabin in Crônica, Mídia on 3 de abril de 2009
O vestibular vai acabar, anuncia o ministro da educação. Por quê?, pergunto eu. Porque é um sistema injusto e ultrapassado, que privilegia a decoreba, responde o funcionário do novo ídolo do Obama.
Ai, que preguiça… Mas vamos lá:
Injusto, se bem entendi, porque fica muita gente de fora. Não vou nem discutir o que é injustiça, porque não vale a tecla. Fiquemos no mesmo níver: do total de pessoas que prestam vestibular para universidades públicas, todos os anos, a maior parte “roda”. Uns, porque não alcançam notas mínimas (problema deles, quando não aproveitam os colégios, ou deles e dos governo, que não lhes oferecem alguma coisa miózinha); outros, porque há vagas de menos. Nesse caso, até o ratinho simpático que deve morar num buraco do Palácio do Planalto entende que a única maneira criar, er, “justiça” é aumentar o número de vagas nas universidades – ou diminuir o número de formandos no ensino médio. Do contrário, qualquer que seja a forma de seleção – jogo de dados, pôquer ou comparação de muques -, muita gente vai continuar ficando de fora.
Ou seje: o governo vai acabar com o vestibular, mas obviamente continuará existindo um processo de seleção para o ensino superior com provas que medirão (mal ou bem, tanto faz) algumas habilidades intelectuais e certos conhecimentos. Nem quatro anos de faculdade de comunicação me deram essa habilidade semântica do ministro. “Vestibular” é obra do coisa-ruim, sem dúvida. Talvez haja até um nome novo. Faço minha aposta: “Vagas para Egressos Selecionados Tecnicamente como Individuos Bons para Universidades Locais de Alto Rigor”. Quem quiser que faça a sigla.
O outro problema é a decoreba, diz o ministro. De que vestibular ele está falando? No caso das federais, sob sua alçada, acho difícil encontrar provas tão horríveis assim hoje em dia. Há casos tristes, claro (UFBA, UFC, por exemplo), mas a coisa funciona muito bem na UFRGS, na UFSC, na UFMG. NA UFRJ, em particular, as provas são todas discursivas e muito mais inteligentes do que suporia o olhar sobre o que lá se faz depois de se conquistar a vaga. Mas a questão é de linguagem, tinha me esquecido. “Vestibular”, “injustiça”, “decoreba”, “coragem de mudar” – é só fazer a mistura conveniente. Pra que falar de “detalhes”?
Há questões menores nessa história: fala-se sobre a autonomia universitária, por exemplo. O governo federal manda, obedece quem quiser. Em tese, claro. Porque reitores “alinhados” e o pessoal que fica esperando aquela verbinha extra certamente aprovarão a novidade.
Fala-se também em substituir a primeira fase dos vestibulares, partindo-se da premissa – equivocada – de que todas as provas sejam divididas em fases (não são!) e de que as primeiras fases que existem não cumpram seu papel de cortar o grupo mais fraco, que, de uma forma ou de outra, não entraria mesmo. Nesse contexto, acabar com as eliminações da primeira fase seria adiar um pouquinho a decepção da rapaziada e entortar o processo de correção das provas discursivas (já muito caro e um pouco mal feito com menos provas).
Por último, surge a ideia de aplicar o ENEM como essa primeira fase nacional, deixando de lado o incômodo de que se trata de uma prova facílima, em que todo o grupo aprovado em carreiras mais concorridas obtém, no mínimo, 90% de rendimento (ou seja, não faz distinção de mérito). Isso, para não falar na prova de redação, que tem um dos modelos de correção mais cretinos imaginável. Entre os cinco parâmetros de avaliação do texto, encontra a exigência de que o aluno respeite diversidades, direitos humanos etc. – dá até vergonha de falar.
E tudo isso para quê? Para o pessoal arrumar um dipromazin universitár e nóis subir nos ideagár.
Faz o seguinte, Haddad: imprime logo os diplomas pra todo mundo. Tenho certeza de que você arruma um jeito de explicar a ideia. “Considerando a impossibilidade, para grande parcela da juventude brasileira, de concluir os cursos universitários no atual modelo, elitista e autoritário, em que os estudantes ainda precisam provar para figuras de autoridade que aprenderam alguma coisa, decidimos alterar essa herança maldita, com um processo democrático, que atenda às reais necessidades do povo brasileiro. Assim, a partir de agora…”
Sessão da tarde
Posted by Bruno Rabin in Mídia on 28 de agosto de 2008
Nessa terça-feira embarque em um grande sucesso do cinema: Eddie Murphy é um cachorro que acaba de pintar na área e vai sobrar uma grande confusão para todo mundo quando essa dupla resolve encrencar em uma fantástica fuga onde não vai faltar zoação e muitas roubadas!
Quer fazer a sua chamada? Aqui, ó.
She’s gotta ticket to ride
Posted by Bruno Rabin in Mídia on 9 de agosto de 2008
Faz sentido
Posted by Bruno Rabin in Mídia on 27 de junho de 2008
Neste caso, mais uma vez, a ironia é involuntária.
Internautas dizem que pesquisadores estão mais estúpidos
Posted by Bruno Rabin in Mídia on 24 de maio de 2008
Está aqui no Globo Online, mas você talvez prefira acessar na fonte: Usuários da internet estão mais egoístas.” Destaque-se:
Segundo [Jacob] Nielsen [diretor da Nielsen Norman Group, especializada em consultoria sobre usabilidade], a mudança no comportamento dos usuários pode ser confirmada com base em vários dados levantados pelo relatório.O primeiro deles está relacionado com o sucesso dos usuários em conseguir atingir suas metas quando estão online. Os dados de 2008 indicam que este o sucesso foi de 75%, comparados com 60% em 1999.
Isso indicaria que os usuários estão indo “diretamente ao ponto”, ao invés de ficar navegando “à deriva” pelos sites.
Nielsen afirma ainda que outro indicativo do “egoísmo” dos usuários estaria relacionado aos sistemas de busca.
Segundo o documento, em 2004, 40% das pessoas visitavam primeiro a homepage de um site e depois navegavam até onde estava a informação que procuravam. Atualmente, 60% dos usuários usam um link que os leva diretamente para a página que procuram dentro de um site.
O relatório de 2008 aponta que apenas 25% das pessoas navegam via a homepage de um site, o restante usa mecanismos de busca e chega diretamente ao destino de interesse.
(…)
O especialista ressalta que, nesse contexto, os mecanismos de busca “basicamente dominam a rede”.
“A longo prazo, qualquer um que quiser ultrapassar o Google tem apenas que fazer um sistema de busca melhor”, concluiu.
Gênio.


